segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Cáritas quer evitar aumento de pobres


A Cáritas Portuguesa vai reforçar a intervenção junto dos mais desfavorecidos, para evitar o aumento da pobreza em Portugal.Eugénio da Fonseca, presidente da instituição, disse à Lusa que o objectivo é ajudar as pessoas a ultrapassarem a "privação de recursos" e evitar que "caiam no grupo dos já dois milhões de pobres que Portugal tem".

Em Fátima, onde ontem terminou o conselho geral da instituição, aquele responsável explicou que os representantes de 18 das 20 Cáritas diocesanas presentes "realçaram o aumento de novas situações que têm tido nos últimos meses", resultantes "sobretudo do desemprego ou do encerramento de pequenas e médias empresas".
O "aumento substancial" dos pedidos de ajuda consta nas conclusões do encontro, que analisou a crise e definiu as linhas estratégicas da Cáritas para o próximo triénio

DIZ NÃO à pobreza



AMI há 25 anos a socorrer em Portugal e no mundo


Quando nasceu a 05 de Dezembro de 1984, a Assistência Médica Internacional (AMI) visava apenas o apoio médico voluntário. 25 anos depois, assume-se como uma organização de «acção humanitária global», nas palavras do seu fundador, António Nobre


A AMI nasceu do sonho do médico Fernando Nobre e assumiu-se como uma organização humanitária inovadora em Portugal.

As rotas da AMI têm-se cruzado com países onde há situações de crise, guerra, fome, pobreza e exclusão social.
Já actuou em dezenas de países de todo o mundo, para onde enviou centenas de voluntários e toneladas de ajuda, como medicamentos, equipamento médico, alimentos, roupas e viaturas.
Questionado pela agência Lusa sobre o que mudou em 25 anos na vida desta organização não-governamental sem fins lucrativos, o médico afirmou que «foi passar do projecto inicial da assistência médica internacional para uma visão mais globalizante dos problemas e da sua acção».
«Embora conservemos o nome Assistência Médica Internacional, a AMI já é uma organização de acção humanitária global», frisou o cirurgião, que se inspirou na actividade que desenvolvia na organização humanitária francesa 'Médecins Sans Frontières' (Médicos Sem Fronteiras) para criar a AMI.
Ao longo destes 25 anos, participou como cirurgião em mais de 200 missões de estudo, coordenação e assistência médica humanitária em mais de 70 países de todos os continentes.
Actualmente, a AMI tem projectos em cerca de 43 países, distribuídos pela África, Ásia, antiga União Soviética e América Latina.

Mas a AMI não esquece a realidade portuguesa e para lutar contra a pobreza criou os centros Porta Amiga, que distribuem alimentos, medicamentos e vestuário, além de prestarem apoio escolar, jurídico, social e psicológico.
«Estamos conscientes de que estamos a atravessar um período difícil. A AMI já tem 12 equipamentos sociais e está a construir mais dois que serão abertos em 2010», avançou Fernando Nobre à Lusa.
A vertente ambiental também assume um papel importante na organização, com vários projectos para proteger o planeta e a humanidade, salientou o cirurgião, 58 anos.
A ideia de fundar a AMI surgiu em 1983 quando o médico estava no Chade numa missão dos Médicos Sem Fronteiras.
A RTP fez uma reportagem sobre este trabalho e o então ministro da Saúde Maldonado Gonelha considerou que um projecto semelhante poderia ser uma possibilidade de ajuda e cooperação aos países de língua portuguesa.
Mas hoje a AMI está longe de limitar as suas preocupações ao espaço de língua portuguesa.
Fiel ao espírito de querer perpetuar a presença humanitária de Portugal no mundo, a AMI internacionalizou-se em 1986, ano em que foram realizadas três missões exploratórias.
A primeira missão foi na Guiné-Bissau, com os custos a serem assegurados por Fernando Nobre e a irmã.
Na iminência da guerra do Golfo, realizou a sua primeira missão de guerra em Setembro de 1990, prestando apoio aos refugiados, e em Outubro de 1993 prestou ajuda humanitária ao Benin, um dos países menos desenvolvidos do mundo e nunca mais parou.
Todo este trabalho não seria possível sem os voluntários: «Em termos de missões internacionais já ultrapassaram largamente as seis centenas. Em termos nacionais, são várias centenas que actuam diariamente nos núcleos da AMI espalhados pelo país», salientou Fernando Nobre, que aos 32 anos trocou a carreira de professor numa universidade europeia para socorrer quem precisa.
Lusa / SOL

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Associação Académica lança fundo para alunos carenciados

A Associação Académica da Universidade da Beira Interior (AAUBI) vai lançar um fundo social para apoiar alunos em dificuldades, «alguns dos quais sem dinheiro para refeições», relatou à Agência Lusa, Fausta Parracho, dirigente da AAUBI

Segundo a mentora do projecto, existem 50 casos de carências, entre os quais “há dez casos urgentes, de pessoas que pagam as propinas com dinheiro emprestado e que neste momento não têm possibilidade de comer”, destacou.

Um tipo de situação que deverá ser resolvida “com o pagamento de refeições nas cantinas da universidade”, exemplificou. A dirigente académica falava na noite de segunda-feira numa festa de angariação de verbas.
O fundo pretende servir de rede para quem espera pela atribuição de bolsa, para famílias que sofrem perdas súbitas de rendimento ou para quem tem um incumprimento curricular pontual e justificado, mas que pode implicar perda de bolsa, entre outras situações.
“Cada caso é um caso e será analisado individualmente”, destacou.
Durante um período de tempo, o fundo paga despesas aos alunos em dificuldades que a acção social comprove não ter margem de manobra para apoiar no imediato. “Nunca vamos entregar dinheiro”, sublinhou Fausta Parracho.
“Vamos pagar despesas e esse valor será sempre contabilizado como um empréstimo sem juros, que prevemos seja depois pago pelo aluno ao longo de um ano”, acrescentou.
“A primeira linha de actuação continuará a ser sempre a acção social da universidade. A aplicação do fundo depende sempre da explicação técnica dos serviços para não poderem apoiar”, destaca Pedro Pombo, provedor do estudante da UBI, que juntamente com a AAUBI vai participar na avaliação dos casos.
“Esta ideia demonstra a capacidade e empenho dos alunos para ajudar quem, por questões técnicas, não possa ser abrangido pela acção social”, sublinhou.
Apesar de não estar entre os casos urgentes, Wilson Vicente, estudante cabo-verdiano, dá a cara porque precisa de 200 euros “para pagar a primeira prestação das propinas”, contou à Agência Lusa.
Já sem direito, trabalha na Covilhã, e o que ganha até dá para pagar uma prestação à UBI. No entanto, traz às costas mais de 400 euros de propinas em atraso. Contas feitas, pede um empréstimo que lhe permita repartir o pagamento até Dezembro.
“Em Dezembro cai a segunda prestação das propinas. Estamos a preparar uma nova festa e angariação de fundos para essa altura”, referiu Fausta Parracho.
Altura em que espera já ter o fundo devidamente constituído, com uma verba que ronde, pelo menos, “entre cinco a oito mil euros” e que vai contar com o contributo da reitoria da UBI.
“É de louvar esta atitude dos alunos aos quais já prometi uma verba significativa para subsidiar parte do fundo”, disse à Agência Lusa o reitor João Queiroz.
Lusa/SOL

domingo, 18 de outubro de 2009

Jovem da Cisjordânia desafia a morte para se juntar ao namorado em Gaza



Um computador com câmara integrada e ligado à Internet foi quanto bastou para que May Hamed, de 23 anos, e Mohammed Warda, de 25, se conhecessem. E se apaixonassem. Com o aval da família, obviamente. Como acontece nas famílias palestinianas mais tradicionais.

A situação de May e de Mohammed não era, porém, muito comum. May vivia em Ramallah, a capital da Cisjordânia; Mohammed, no campo de refugiados de Nuseirat, no sul da Faixa de Gaza. Separados, portanto, por umas centenas de quilómetros, distância que poderia ser transposta em duas horas de carro. Isto, numa situação normal. O que não é o caso.

Desde Junho de 2007, quando o Hamas ali tomou o poder, que a Faixa de Gaza está bloqueada. E os seus habitantes só podem sair para o Egipto, a sul, ou para Israel, a norte e leste, se os respectivos governos aceitarem. Mesmo que sejam palestinianos que queiram apenas juntar-se à família que vive na Cisjordânia, ou vice-versa. Daí que, quando decidiram casar, e perante a impossibilidade de Mohammed sair de Gaza, tenha cabido a May a ousadia de furar o bloqueio. Fê-lo, após percorrer milhares de quilómetros - desde Ramallah, via Amã, na Jordânia, até Rafah, no Egipto, de onde entrou em Gaza através de um dos milhentos túneis que serpenteiam no subsolo do pequeno território nas margens do Mediterrâneo Oriental. As centenas de quilómetros que separam a Cisjordânia de Gaza foram, por exigência dos governos, transformadas em milhares de quilómetros que May levou quatro dias a percorrer.
Quatro dias e mais uma hora, esta a do percurso particularmente difícil que encerrou a aventura de May. De olhos fechados, por causa do pó que levantava ao rastejar e da areia que esboroava do tecto do túnel, e com o medo por companhia: o túnel podia ruir; os egípcios podiam descobrir que havia ali movimento e lançar granadas para o seu interior como o fazem com frequência ou, simplesmente, Israel poderia bombardeá-lo. Lá fora, sob um sol escaldante, Mohammed - que pagara 1500 dólares, cerca de 1020 euros, para conseguir que os contrabandistas ajudassem May a usar o túnel - aguardava. Com medo também, porque consciente do perigo que a noiva estava a correr. Mais tarde, Mohammed contou que quando viu May a emergir do túnel "foi como se ela estivesse a sair da campa, de tal modo estava coberta de terra". Enquanto May confirma: "Sabia que corria o risco de ser enterrada viva."
"Senti-me muito mal por ela ter de passar por todas aquelas dificuldades só por minha causa", afirma Mohammed. O já marido de May explica, então, à imprensa: "Após o nosso noivado online, pedi aos israelitas que me dessem autorização para ir ter com May à Cisjordânia. Fiz cinco pedidos; em vão." E desabafa, algo amargo: "Infelizmente, os israelitas não mostraram qualquer compaixão connosco, para deixar que nos encontrassem."
Ao recusar a saída de Mohammed para a Cisjordânia, que teria obrigatoriamente de passar por território israelita, o Governo de Benjamin Netanyahu procurou evitar que extremistas deixem a Faixa de Gaza e vão alimentar as fileiras dos que existem na Cisjordânia. E o facto de Mohammed ser da Fatah, da qual recebe 250 dólares mensais por uma tarefa que já não desempenha - guarda-costas de responsáveis da Autoridade Palestiniana - , não deu qualquer peso aos seus pedidos.
E foi por tudo isso que May teve de deixar o seu emprego na butique de Ramalla. "O amor é cruel", desabafa May, que, entretanto, perdeu o pai e não conseguiu ter a família no seu casamento.

Mulheres são três em cada quatro vítimas de tráfico no País



Hoje é o Dia Europeu contra o Tráfico de Seres Humanos e faz- -se o primeiro balanço do fenómeno em Portugal. Foram sinalizadas 231 vítimas, a maioria usadas na prostituição. Os homens trabalham ou furtam

Três em cada quatro vítimas de tráfico em Portugal são mulheres. Em geral, brasileira, solteira, com 30 anos e que está ilegal. Um familiar, ou amigo, ou um amigo do amigo, prometeu-lhe um bom emprego, mas coloca-a num bar de alterne no Norte de Portugal. Fica sem documentos, é ameaçada e vigiada por portugueses. É o perfil da vítima para fins de exploração sexual. Os 25% que sobram são homens, mais velhos e que são recrutados para fins laborais ou para praticarem crimes (furto).
As mais duas dezenas de vítimas sinalizadas são, posteriormente, acompanhas pelas autoridades, até para se chegar às redes de tráfico. Mas o difícil é provar a condição de "escravo", sobretudo as que são transaccionadas para exploração sexual. Desde que há monitorização, 2008, sinalizaram 231 vítimas e só confirmaram 41.
São os primeiros números oficiais da dimensão do tráfico de seres humanos em Portugal. A informação, a que o DN teve acesso, é trabalhada pelo Observatório sobre o Tráfico de Seres Humanos, criado em 2008, e será hoje apresentada, no Porto, para assinalar o Dia Europeu Contra o Tráfico de Seres Humanos.
Entre as 231 situações com sendo de tráfico de seres humanos, 46 registaram-se nos primeiros seis meses deste ano. E, embora só tenham confirmado 18% (decorrem as investigação), são todos relevantes para a compreensão do fenómeno, justificam Paulo Machado, chefe de equipa do Observatório, e Manuel Albano, coordenador para o I Plano Nacional Contra o Tráfico de Seres Humanos. E, sublinham: "Esses casos sugerem sempre situações em que as manifestações de discriminação social, de ilicitude, muitas vezes de violência de género, bem como de outros tipos de crimes, estão presentes".
Traçam o perfil das vítimas deste negócio, considerado um dos mais lucrativos do século e que vitima 2,4 milhões de pessoas todos os anos. Mas os dados do Observatório, também, revelam que há vítimas para fins de exploração sexual oriundas de uma dúzia de países, nomeadamente da Europa de Leste e Central e de África de língua portuguesa. E que há uma maioria de mulheres entre os 22 e 38 anos.
Alguém lhes acena no país de origem com a promessa de um emprego. Metem-se num avião para Lisboa ou outra cidade europeia, viajando em outro meio de transporte até chegar ao destino. Uma vez cá são colocadas numa casa de alterne, onde são controladas por portugueses. E uma informação que confirma a complexidade do sistema, é a de que "as vítimas são recrutadas por círculos de sociabilidade, amigos ou familiares".
A situação dos homens é diferente. Estes constituem a maioria das situações de tráfico confirmadas e viajam acompanhados para Portugal, onde obrigados a trabalhar dez e mais horas diárias. Ou obrigam-nos a praticar furtos.

A vida pelos outros

0h25m - Maria Cláudia Monteiro

Há gente que depende das centenas de voluntários que todos os dias combatem anonimamente a pobreza.



Alguns chegam como voluntários, de coração aberto e estômago vazio. Vêm para ajudar, mas, vencido o silêncio envergonhado, confessam que também eles precisam de ajuda. São os novos pobres.

Despojados das estratégias que os utentes tradicionais das instituições aprenderam a dominar, os novos pobres aguardam a melhor altura para pedir ajuda. "Aparecem cada vez com mais frequência", constata Susete Santos, do Gabinete de Apoio Social do Centro Porta Amiga da Assistência Médica Internacional, no Porto. "E nós temos de estar cada vez mais atentos. Agora, temos de estar atentos até aos voluntários", explicou ao JN.
Entram pela porta que julgam envergonhá-los menos, a eles que nunca tiveram por que pedir ajuda. "São pessoas que nunca recorreram à Segurança Social, nunca tiveram institucionalizadas e que têm um grande desconhecimento da forma como as coisas se processam", descreve a técnica da AMI.
Fazem parte de uma pobreza encoberta que grassa silenciosa pelas ruas das cidades e que preocupa Susete Santos. A que se passa entre as quatro paredes de casa, escondida na vergonha de quem deixou de conseguir ganhar para viver a vida como dantes. O desemprego está na base da maioria das situações de carência que chegam às instituições. "Era bom que todas as novas situações chegassem até nós, mas acredito que há muito mais", calcula a socióloga da AMI Porto.

Números da Assistência Médica Internacional (AMI) indicam uma subida de 10% no número de casos que chegaram aos centros Porta Amiga, nos primeiros seis meses deste ano. "Estes valores demonstram uma nítida tendência para um crescente número de casos de pobreza persistente. A grande maioria destas pessoas encontra-se em plena idade activa, entre os 21 e os 59 anos de idade", explica a AMI.
No total, 5201 pessoas procuraram apoio social da organização, 80% das quais desempregadas. Um número que se aproxima dramaticamente do total atingido em anos anteriores. Destas, quase duas mil recorreram à ajuda pela primeira vez, o que indica a existência de cada vez mais casos de nova pobreza.
A propósito do Dia Internacional para Erradicação da Pobreza, comemorado ontem, republicaram-se as estatísticas que atestam o que as instituições percepcionam em parcelas dramáticas de pobreza, estrutural ou adquirida.
A Rede Europeia Anti-Pobreza (REAPN) cita dados do Instituto Nacional de Estatística relativos ao desemprego, segundo os quais no segundo trimestre havia 507,7 mil portugueses que tinham perdido o trabalho. A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico estima que, no final do próximo ano, sejam 650 mil, mais 210 mil do que em 2007.
O JN acompanhou quatro voluntários que com o seu trabalho tentam esbater a pobreza, que, dizem os números, atinge 18% dos portugueses (ver páginas seguintes).

Tráfico humano requer combate especializado


Relatório do Plano contra o tráfico de pessoas recomenda criação de equipas policiais específicas

00h30m - CLARA VASCONCELOS

A criação de equipas de investigação especializadas em crimes de tráfico de pessoas é uma das principais recomendações do primeiro relatório do Plano Nacional de Luta Contra o Tráfico de Seres Humanos, que hoje, domingo, será apresentado no Porto.

No dia em que se assinala o Dia Europeu contra o Tráfico de Seres Humanos, os responsáveis pelo I Plano de Luta Contra o Tráfico de Seres Humanos e do Observatório entretanto criado para monitorização do fenómeno apresentam um primeiro balanço de actividades e estatísticas actualizadas.
O primeiro relatório de actividades, a que o JN teve acesso, termina com seis recomendações, a primeira das quais relativa à necessidade de criação de investigadores especializados e a trabalhar em exclusivo no tráfico de pessoas, quer na Polícia Judiciária, quer no serviço de Estrangeiros e Fronteiras. Equipas que poderão ser conjuntas às duas polícias e a quem seria dada formação profissional específica.
Do mesmo modo, e "tendo em conta a importância da troca de informação rápida e fiável", recomenda-se a designação, por parte das polícias, de um contacto único para esse efeito.
O primeiro relatório do Plano - que entrou em vigor em 2007 e termina no próximo ano -, defende ainda a criação de uma estrutura a nível nacional, com representantes de todos os órgãos de polícia criminal, "especialmente dedicada a melhorar a coordenação nacional da investigação" nesta área.
A necessidade de reintegração das vítimas de tráfico, aconselha também, segundo o mesmo relatório, a formalização de um protocolo com o Instituto do Emprego e Formação profissional, "no sentido de haver vagas específicas para estas em cursos de formação".
A realidade nacional relativamente ao tráfico de pessoas, começa agora a ser mais conhecida, segundo disse ao JN o director do Plano, Manuel Albano, devido às alterações introduzidos pela reforma penal de 2007 e pelos procedimentos entretanto adoptados, como o modelo de sinalização das vítimas.
"Qualquer pessoa pode fazê-lo", disse, explicando que há um formulário próprio para o efeito. As polícias e as Organizações não Governamentais também têm a obrigação de sinalizar, sempre que se deparem com potenciais vítimas de tráfico.
"A detecção dos casos tem permitido um conhecimento da realidade muito diferente da que tínhamos há anos atrás", diz, lembrando que este é "um crime oculto" , até agora olhado mais na perspectiva "da imigração ilegal".
Hoje em dia, as polícias, quando fazem rusgas, preocupam-se também em saber se para além de ilegais, as pessoas não estarão ali sob coacção. Quando suspeitem de que essa situação existe pedem apoio ao Centro de Acolhimento e Protecção, criado no âmbito do Plano, e que funciona 24 horas por dia.

sábado, 17 de outubro de 2009

Chimpanzés são altruístas quando solicitados- Poderão os homens ser assim?

Investigação da Universidade de Quioto sugere que estes primatas são capazes de se ajudarem sem esperar nada em troca


Os chimpanzés são capazes de prestar ajudar a um companheiro quando este a solicita sem esperarem nada em troca. Esta é a principal conclusão do estudo realizado em conjunto pelo Instituto de Investigação de Primatas e o Centro de Investigação da Vida Selvagem, da Universidade de Quioto.

No artigo agora publicado na revista «PLoS ONE» a equipa liderada por Shinya Yamamoto, explica que colocou chimpanzés em situações em que seria necessária a inter-colaboração para cada um atingir um objectivo distinto.
Os cientistas fizeram então duas experiências. Na primeira, um animal tinha acesso a uma palha e o outro a um pau. No entanto cada um necessitava do instrumento do outro. Verificou-se que quando solicitados pelo companheiro, cediam o instrumento.
Verificou-se também que mesmo sem esperarem reciprocidade continuavam a ajudar-se tantas vezes quantas fossem solicitadas.
Na segunda experiência, colocaram chimpanzés em situações em que não era possível haver reciprocidade, pois um tinha o papel de doador e o outro de receptor, exclusivamente. Os investigadores constataram que mesmo assim o doador cedia as ferramentas a pedido do outro.
Como conclusão, os cientistas sublinham a evidência da ajuda altruísta entre os chimpanzés, sem ganhos pessoais directos ou reciprocidade imediata.
O estudo sugere igualmente que, ao contrário do que acontece com o ser humano, estes animais raramente realizam actos de altruísmo voluntário, sendo necessário haver um pedido de ajuda.

Artigo: Chimpanzees Help Each Other upon Request - http://www.plosone.org/article/info:doi%2F10.1371%2Fjournal.pone.0007416#s5