segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Restaurantes ignoraram campanha contra a fome - Sociedade - Sol

Restaurantes ignoraram campanha contra a fome - Sociedade - Sol

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Bangladesh: Sentença de 80 chibatadas mata menina de 14 anos




Hena Bagum, de 14 anos, foi violada pelo primo, um homem de 40. Em vez de protegida, a adolescente foi acusada de "sexualidade imoral" e condenada a 80 chibatadas, acabando por morrer.

Hena Bagum, de 14 anos, acabou por morrer após uma punição de 80 chibatados atribuída pelo tribunal religioso de Shariatapur, uma cidade do sudoeste do Bangladesh.
A adolescente foi acusada de ter tido relações sexuais com um primo que era casado, avança a BBC . O homem foi condenado a cem chibatadas, mas fugiu antes da pena ser aplicada. A mesma sorte não teve Hena, que a meio do castigo acabou por desmaiar, acabando por falecer no hospital local.
Quatro pessoas, incluindo Mofiz Uddin, um clérigo muçulmano responsável pela fatwah (sentença), foram presas, uma vez que punições realizadas em nome de decretos religiosos foram proibidas em Bangladesh. Esta é segunda morte provocada por uma sentença ligada à sharia desde que a prática foi banida pela Corte Suprema do país.

"Sexo imoral" afinal foi uma violação

De acordo com os órgãos de comunicação social bengalis, Hena terá sido violada pelo primo. Relatos de moradores locais contam que os gritos de socorro da adolescente atraíram alguns professores da madrassa (escola de ensinamentos islâmicos), incluindo Mofiz Uddun, à casa onde o homem de quarenta anos mantinha relações sexuais com Hena.
Em vez de prenderem o autor da violação, os homens mantiveram a adolescente presa num quarto, acusando-a de "sexualidade imoral" fora do casamento. Ao pai da jovem foi exigido que pagasse uma multa de cerca de €500 pelo comportamento reprovável da filha.
Um dia antes da sentença ter sido decretada, moradores locais garantem que a jovem terá sido espancada pela família do primo. A resistência de Hena Bagum à violência extrema a que foi sujeita terminou a meio das 80 chibatadas, quando desmaiou. A jovem acabou por morrer ao fim de seis dias de internamento no hospital.


quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Alarme à distância liga vítimas à Polícia

Novo plano contra a violência doméstica prevê rastreio a grávidas e base de dados de denúncias

HELENA NORTE

A disponibilização de equipamentos de teleassistência, para reforçar a protecção das vítimas e o alargamento da aplicação das pulseiras electrónicas são algumas das medidas que constam do novo Plano Nacional Contra a Violência Doméstica.

Os dispositivos que permitem às vítimas, em situações de perigo, ser localizadas pelas autoridades policiais já existem e podem ser disponibilizados gratuitamente logo que haja magistrados a tomar a iniciativa de aplicar esta medida de teleassistência, assegurou ao JN a secretária de Estado da Igualdade, que apresentará hoje, Dia Internacional para a Eliminação da Violência Contra as Mulheres, o IV Plano Nacional Contra a Violência Doméstica 2011/2013. O pager, que vem equipado com um sistema que permite a localização do seu portador, possibilitará também a ligação a uma linha de apoio, "quebrando o isolamento da vítima", sublinhou Elza Pais, em declarações ao JN.

O alargamento a nível nacional da utilização das pulseiras electrónicas é outra das medidas que constam do novo plano. Actualmente, apenas 21 agressores estão controlados com este sistema, cuja aplicação depende de determinação judicial e da adesão voluntária por parte dos agressores. Elza Pais diz que a medida não tem sido rejeitada pelos arguidos e reforça o apelo aos magistrados para que recorram mais a este dispositivo que emite um alerta quando o agressor se aproxima da vítima, possibilitando a intervenção da polícia.
O plano que será hoje apresentado, depois de ter estado em discussão pública, está organizado e torno de cinco áreas estratégicas e prevê 50 medidas, seis das quais de intervenção junto dos agressores. O objectivo é prevenir a reincidência através de programas estruturados que visam fomentar competências de não violência na gestão de conflitos e das relações interpessoais. Trata-se de uma vertente inovadora na abordagem da problemática da violência doméstica, destaca a governante, mas que já está a ser concretizada através de um projecto-piloto, a decorrer no Porto e em Coimbra, abrangendo cerca de 200 condenados por crimes de violência conjugal a cumprir pena de prisão ou medidas alternativas à cadeia. Por ser recente, ainda não foi alvo de avaliação.

Entre as medidas que visam a protecção da vítima, destaca-se a implementação de um rastreio nacional para detectar situações de violência durante a gravidez. Depois de uma experiência em Bragança, que testou o inquérito que vai ser passado às grávidas, está prevista, já a partir do próximo ano, a implementação do rastreio.

A criação de uma base de dados de denúncias, que possibilitará não só registo como o tratamento e a verificação do percurso processual das queixas, é outra das novidades do IV Plano Nacional de Contra a Violência Doméstica. Outra das vantagens da existência de uma base de dados é que evitará que a vítima tenha de repetir, em diversas diligências, as informações já prestadas.
A secretária de Estado da Igualdade admite que esta não é das medidas mais fáceis de concretizar, porque é necessário acautelar a privacidade das vítimas e o sigilo das informações, mas assumiu que a uniformização dos procedimentos de recolha de dados é uma prioridade a nível europeu. Numa cimeira europeia de mulheres no poder dedicada à violência contra as mulheres, realizada ontem em Bruxelas, ficou decidido criar um observatório europeu sobre a violência de género e uma linha telefónica comum e dedicar um ano a essa temática.

Um em cada quatro idosos já foi discriminado

Um em cada quatro portugueses com mais de 65 anos diz já ter sido vítima de discriminação com base na idade, segundo o Inquérito Social Europeu que foi divulgado hoje, quinta-feira.


Este estudo, feito em cerca de 30 Estados, mostra que nos países mais ricos são os jovens quem mais se queixa de discriminação devido à idade.
Os dados europeus indicam que metade dos jovens entre os 14 e os 25 anos assume discriminação baseada na idade, enquanto nos idosos essa percentagem é de 32%.
Contudo, em Portugal é o inverso. Apenas 15% das pessoas com menos de 30 anos se queixam de já terem sido discriminadas, percentagem que sobe para os 25% nos idosos.

"Portugal tem uma característica diferente da dos outros países: os jovens não se queixam, ao contrário dos mais velhos", explicou à Agência Lusa Luísa Lima, investigadora do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE).
Uma das coordenadoras do estudo, a primeira análise do género feita na Europa, refere que a pobreza está muitas vezes associada à velhice.
"Essa discriminação com base na idade será eventualmente associada à pobreza. Nos países mais ricos há condições totalmente diferentes para os mais velhos, como sistemas de pensões e de apoio domiciliário que funcionam muito bem", justifica.
Apesar de uma análise global não mostrar Portugal como um país altamente discriminatório em função da idade, a investigadora sublinha que o padrão é de discriminação dos mais velhos.

"É um problema para as empresas. Numa altura de crise social, em que muitos economistas dizem que a solução é aumentar a idade de reforma, não queremos pessoas no local de trabalho sem se sentirem bem porque são discriminadas e mal vistas pelos colegas", comentou.

Juventude e velhice

O inquérito debruça-se ainda sobre a noção que os países têm da duração da juventude e da velhice.
Em média, os europeus acham que a partir dos 39,9 anos uma pessoa deixa de ser jovem e que a partir dos 60 começa a ser vista como idosa.
Em Portugal, considera-se jovem até aos 35 anos e idoso a partir dos 65,6 anos.
Mas a disparidade é grande. Chipre e Grécia, por exemplo, consideram que só a partir dos 52 anos uma pessoa deixa de ser jovem.
"Estes indicadores mostram como uma coisa que parece muito evidente varia muito de cultura para cultura, apesar de haver marcadores biológicos", nota Luísa Lima.
A investigadora refere ainda que os inquiridos tendem a empurrar a fronteira da juventude e da velhice ao longo da vida, que no caso dos jovens acontece em média 10 anos antes.
O estudo sobre a discriminação em função da idade insere-se no Inquérito Social Europeu, projecto promovido em Portugal pelo Instituto de Ciências Sociais e pelo ISCTE.

Número de pessoas em extrema pobreza subiu três milhões por ano

O número de pessoas que vive em extrema pobreza aumentou em três milhões por ano na última década, atingindo os 421 milhões em 2007, duas vezes mais do que em 1980, segundo a Organização das Nações Unidas.

Os dados fazem parte do relatório de 2010 da Conferência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento (CNUCED) sobre os países mais pobres do Mundo.

Com o título "Rumo a uma Nova Arquitectura Internacional do Desenvolvimento para os PMAs" (países menos avançados), o documento hoje, quinta-feira, divulgado em Genebra surge a poucos meses da conferência da ONU sobre os países mais pobres, que se realiza em maio de 2011, em Istambul.
O relatório faz um balanço a dez anos da evolução dos 49 países mais pobres do Mundo, grupo que inclui Angola, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. A maior parte dos países é de África e, em termos gerais, os considerados mais pobres pela CNUCED são também os que a ONU classifica com mais baixo índice de desenvolvimento humano.
Nele se salienta que, embora os 49 países tenham resistido à recessão, estão ainda enredados em ciclos de crescimento e retracção, sugerindo-se no documento que devem modernizar e diversificar as suas economias para reduzir a pobreza de forma sustentável.

"As perspectivas (dos PMAs) de médio prazo são motivo de preocupação", diz o relatório, que considera que mesmo os períodos de grande crescimento económico pouco contribuíram para melhorar os padrões de vida da população.
Durante os anos de expansão (até 2007) os PMAs tiveram taxas médias de crescimento de 7% ao ano, mas aumentou a sua dependência e em mais de metade dos 49 países declinou a participação da indústria de transformação no valor acrescentado.
Também, ainda segundo o documento, houve concentração de exportações, a poupança doméstica aumentou pouco e os recursos naturais foram mais rapidamente delapidados.
No período de maior expansão, de 2002 a 2007, "o rápido crescimento económico traduziu-se somente numa fraca redução da pobreza", diz o relatório, que estima que 53% da população total dos PMAs vivia na pobreza extrema em 2007.

"Muito poucos estão a caminho de atingir o objectivo de reduzir para metade a pobreza extrema em 2015", diz o relatório, que caracteriza o crescimento dos 49 países, na última década, como "não sustentável" e "não inclusivo".

Na última década, os PMAs também aumentaram a importação de alimentos, que subiu de 9 mil milhões de dólares em 2002 para 24 mil milhões em 2008.

De 2008 até agora, a crise financeira levou a um "significativo" abrandamento do crescimento na grande maioria dos PMAs, particularmente em Angola, Chade, Guiné Equatorial, Serra Leoa, Maldivas, Samoa e Ilhas Salomão.
Em 2009, as entradas de investimento directo estrangeiro nos PMAs diminuíram 13% em relação a 2008. Se no global os países mais pobres tiveram um crescimento no ano passado de 4,3%, o PIB per capita declinou em 19 dos 49 países e aumentou o desemprego. Na RDCongo, exemplifica o documento, perderam-se 100 mil empregos pelo declínio do sector mineiro.
Diz o relatório que os PMAs enfrentam um quadro de médio prazo difícil, com baixos níveis de investimento e fraco desenvolvimento financeiro, dependendo grandemente dos níveis de recuperação do resto do Mundo e do aumento de apoios de doadores.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Foi descoberto o gene da generosidade

Pessoas com a variante COMT-Val são mais dadas a actos de bondade

2010-11-08

Mini-mutação de gene afecta comportamentoGosta de fazer bem a outras pessoas? Nesse caso, o gene da generosidade pode ser o responsável por essa vontade. Um grupo de investigadores da Universidade de Bonn (Alemanha), dirigido pelo catedrático de psicologia Martin Reuter, acredita ter descoberto o gene da generosidade, após ter feito um estudo com cem estudantes – os resultados foram publicados no «Journal Social Cognitive & Affective Neuroscience».
Segundo o investigador, a prova consistiu numa experiência de retenção de dados na qual tinham que aprender uma série de dígitos e depois repeti-los de memória. Posteriormente, cada um dos participantes recebia cinco euros e tinha a possibilidade de doar parte dessa quantidade para um fim caridoso. As doações eram anónimas – apenas o grupo de investigação sabia a quantia dada.
Para o teste de DNA, os cientistas centraram-se no gene chamado COMT, que contém as informações para a criação de uma enzima que desactiva determinadas substâncias no cérebro, entre elas a dopamina. Há já 15 anos que se sabe que existem duas variantes distintas do gene COMT: o COMT val e o COMT met, que estão distribuídos de forma bastante equitativa entre a população humana.
Nas pessoas com a primeira variante, a enzima trabalha de forma quatro vezes mais efectiva, de modo que a dopamina é tornada inactiva de forma muito mais rápida. O estudo da Universidade de Bonn demonstrou que isto tem efeitos no comportamento e as pessoas que participaram no teste e que tinham a variante COMT val doaram o dobro da quantidade daqueles que tinham a variante met.

Ficou provado que esta mini-mutação afecta o comportamento. É a primeira vez que uma investigação empírica mostra que existe de facto uma ligação entre um factor genético determinado e atitudes altruístas, apesar de estudos com gémeos já terem demonstrado que os genes influenciam no comportamento.
O grupo de Bonn concentrou sua análise no gene COMT por saber que a dopamina influencia no comportamento social dos seres humanos. Em conjunto, com outras substâncias, como a vasopressina, tem influência, por exemplo, no comportamento sexual e a disposição para criar vínculos. Além disso, dopamina está positivamente associada às emoções e mesmo a motivação tem uma ligação directa com este neurotransmissor.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

SOS leucemia

Menina de quatro anos procura dador de medula


Realiza-se no próximo dia 9 de Dezembro no Novotel em Lisboa, Av. José Malhoa, uma sessão para colheita de medula destinada a salvar a pequena Cármen, que sofre de leucemia amieloblástica aguda.

A mãe da Cármen lança um apelo a todos para que apareçam no local. «Só precisamos de recolher sangue. Não há que ter medo», explica Bela de Nascimento, que espera um gesto solidário do maior número possível de pessoas.

«A nossa vida mudou. Temos de reinventar a nossa vida todos os dias. Tudo gira em volta dela. O que nos vale é a grande força de vontade que ela tem e a sua alegria de viver. Ela dá-me mais força a mim do que eu a ela», conta Bela.
Os sintomas começaram com uma constipação, acompanhada de uma otite e falta de apetite frequente. Os médicos diziam ser normal. «Passou a estar sempre cansada e a vomitar. Diziam não ser grave, mas insisti e tive a confirmação que era leucemia», lembrou Bela.
Agora, a família espera que o maior número de pessoas acorra ao Novotel para a colheita de medula, que poderá salvar a pequena Cármen.


SOL

Cáritas quer evitar aumento de pobres


A Cáritas Portuguesa vai reforçar a intervenção junto dos mais desfavorecidos, para evitar o aumento da pobreza em Portugal.Eugénio da Fonseca, presidente da instituição, disse à Lusa que o objectivo é ajudar as pessoas a ultrapassarem a "privação de recursos" e evitar que "caiam no grupo dos já dois milhões de pobres que Portugal tem".

Em Fátima, onde ontem terminou o conselho geral da instituição, aquele responsável explicou que os representantes de 18 das 20 Cáritas diocesanas presentes "realçaram o aumento de novas situações que têm tido nos últimos meses", resultantes "sobretudo do desemprego ou do encerramento de pequenas e médias empresas".
O "aumento substancial" dos pedidos de ajuda consta nas conclusões do encontro, que analisou a crise e definiu as linhas estratégicas da Cáritas para o próximo triénio

DIZ NÃO à pobreza



AMI há 25 anos a socorrer em Portugal e no mundo


Quando nasceu a 05 de Dezembro de 1984, a Assistência Médica Internacional (AMI) visava apenas o apoio médico voluntário. 25 anos depois, assume-se como uma organização de «acção humanitária global», nas palavras do seu fundador, António Nobre


A AMI nasceu do sonho do médico Fernando Nobre e assumiu-se como uma organização humanitária inovadora em Portugal.

As rotas da AMI têm-se cruzado com países onde há situações de crise, guerra, fome, pobreza e exclusão social.
Já actuou em dezenas de países de todo o mundo, para onde enviou centenas de voluntários e toneladas de ajuda, como medicamentos, equipamento médico, alimentos, roupas e viaturas.
Questionado pela agência Lusa sobre o que mudou em 25 anos na vida desta organização não-governamental sem fins lucrativos, o médico afirmou que «foi passar do projecto inicial da assistência médica internacional para uma visão mais globalizante dos problemas e da sua acção».
«Embora conservemos o nome Assistência Médica Internacional, a AMI já é uma organização de acção humanitária global», frisou o cirurgião, que se inspirou na actividade que desenvolvia na organização humanitária francesa 'Médecins Sans Frontières' (Médicos Sem Fronteiras) para criar a AMI.
Ao longo destes 25 anos, participou como cirurgião em mais de 200 missões de estudo, coordenação e assistência médica humanitária em mais de 70 países de todos os continentes.
Actualmente, a AMI tem projectos em cerca de 43 países, distribuídos pela África, Ásia, antiga União Soviética e América Latina.

Mas a AMI não esquece a realidade portuguesa e para lutar contra a pobreza criou os centros Porta Amiga, que distribuem alimentos, medicamentos e vestuário, além de prestarem apoio escolar, jurídico, social e psicológico.
«Estamos conscientes de que estamos a atravessar um período difícil. A AMI já tem 12 equipamentos sociais e está a construir mais dois que serão abertos em 2010», avançou Fernando Nobre à Lusa.
A vertente ambiental também assume um papel importante na organização, com vários projectos para proteger o planeta e a humanidade, salientou o cirurgião, 58 anos.
A ideia de fundar a AMI surgiu em 1983 quando o médico estava no Chade numa missão dos Médicos Sem Fronteiras.
A RTP fez uma reportagem sobre este trabalho e o então ministro da Saúde Maldonado Gonelha considerou que um projecto semelhante poderia ser uma possibilidade de ajuda e cooperação aos países de língua portuguesa.
Mas hoje a AMI está longe de limitar as suas preocupações ao espaço de língua portuguesa.
Fiel ao espírito de querer perpetuar a presença humanitária de Portugal no mundo, a AMI internacionalizou-se em 1986, ano em que foram realizadas três missões exploratórias.
A primeira missão foi na Guiné-Bissau, com os custos a serem assegurados por Fernando Nobre e a irmã.
Na iminência da guerra do Golfo, realizou a sua primeira missão de guerra em Setembro de 1990, prestando apoio aos refugiados, e em Outubro de 1993 prestou ajuda humanitária ao Benin, um dos países menos desenvolvidos do mundo e nunca mais parou.
Todo este trabalho não seria possível sem os voluntários: «Em termos de missões internacionais já ultrapassaram largamente as seis centenas. Em termos nacionais, são várias centenas que actuam diariamente nos núcleos da AMI espalhados pelo país», salientou Fernando Nobre, que aos 32 anos trocou a carreira de professor numa universidade europeia para socorrer quem precisa.
Lusa / SOL

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Associação Académica lança fundo para alunos carenciados

A Associação Académica da Universidade da Beira Interior (AAUBI) vai lançar um fundo social para apoiar alunos em dificuldades, «alguns dos quais sem dinheiro para refeições», relatou à Agência Lusa, Fausta Parracho, dirigente da AAUBI

Segundo a mentora do projecto, existem 50 casos de carências, entre os quais “há dez casos urgentes, de pessoas que pagam as propinas com dinheiro emprestado e que neste momento não têm possibilidade de comer”, destacou.

Um tipo de situação que deverá ser resolvida “com o pagamento de refeições nas cantinas da universidade”, exemplificou. A dirigente académica falava na noite de segunda-feira numa festa de angariação de verbas.
O fundo pretende servir de rede para quem espera pela atribuição de bolsa, para famílias que sofrem perdas súbitas de rendimento ou para quem tem um incumprimento curricular pontual e justificado, mas que pode implicar perda de bolsa, entre outras situações.
“Cada caso é um caso e será analisado individualmente”, destacou.
Durante um período de tempo, o fundo paga despesas aos alunos em dificuldades que a acção social comprove não ter margem de manobra para apoiar no imediato. “Nunca vamos entregar dinheiro”, sublinhou Fausta Parracho.
“Vamos pagar despesas e esse valor será sempre contabilizado como um empréstimo sem juros, que prevemos seja depois pago pelo aluno ao longo de um ano”, acrescentou.
“A primeira linha de actuação continuará a ser sempre a acção social da universidade. A aplicação do fundo depende sempre da explicação técnica dos serviços para não poderem apoiar”, destaca Pedro Pombo, provedor do estudante da UBI, que juntamente com a AAUBI vai participar na avaliação dos casos.
“Esta ideia demonstra a capacidade e empenho dos alunos para ajudar quem, por questões técnicas, não possa ser abrangido pela acção social”, sublinhou.
Apesar de não estar entre os casos urgentes, Wilson Vicente, estudante cabo-verdiano, dá a cara porque precisa de 200 euros “para pagar a primeira prestação das propinas”, contou à Agência Lusa.
Já sem direito, trabalha na Covilhã, e o que ganha até dá para pagar uma prestação à UBI. No entanto, traz às costas mais de 400 euros de propinas em atraso. Contas feitas, pede um empréstimo que lhe permita repartir o pagamento até Dezembro.
“Em Dezembro cai a segunda prestação das propinas. Estamos a preparar uma nova festa e angariação de fundos para essa altura”, referiu Fausta Parracho.
Altura em que espera já ter o fundo devidamente constituído, com uma verba que ronde, pelo menos, “entre cinco a oito mil euros” e que vai contar com o contributo da reitoria da UBI.
“É de louvar esta atitude dos alunos aos quais já prometi uma verba significativa para subsidiar parte do fundo”, disse à Agência Lusa o reitor João Queiroz.
Lusa/SOL

domingo, 18 de outubro de 2009

Jovem da Cisjordânia desafia a morte para se juntar ao namorado em Gaza



Um computador com câmara integrada e ligado à Internet foi quanto bastou para que May Hamed, de 23 anos, e Mohammed Warda, de 25, se conhecessem. E se apaixonassem. Com o aval da família, obviamente. Como acontece nas famílias palestinianas mais tradicionais.

A situação de May e de Mohammed não era, porém, muito comum. May vivia em Ramallah, a capital da Cisjordânia; Mohammed, no campo de refugiados de Nuseirat, no sul da Faixa de Gaza. Separados, portanto, por umas centenas de quilómetros, distância que poderia ser transposta em duas horas de carro. Isto, numa situação normal. O que não é o caso.

Desde Junho de 2007, quando o Hamas ali tomou o poder, que a Faixa de Gaza está bloqueada. E os seus habitantes só podem sair para o Egipto, a sul, ou para Israel, a norte e leste, se os respectivos governos aceitarem. Mesmo que sejam palestinianos que queiram apenas juntar-se à família que vive na Cisjordânia, ou vice-versa. Daí que, quando decidiram casar, e perante a impossibilidade de Mohammed sair de Gaza, tenha cabido a May a ousadia de furar o bloqueio. Fê-lo, após percorrer milhares de quilómetros - desde Ramallah, via Amã, na Jordânia, até Rafah, no Egipto, de onde entrou em Gaza através de um dos milhentos túneis que serpenteiam no subsolo do pequeno território nas margens do Mediterrâneo Oriental. As centenas de quilómetros que separam a Cisjordânia de Gaza foram, por exigência dos governos, transformadas em milhares de quilómetros que May levou quatro dias a percorrer.
Quatro dias e mais uma hora, esta a do percurso particularmente difícil que encerrou a aventura de May. De olhos fechados, por causa do pó que levantava ao rastejar e da areia que esboroava do tecto do túnel, e com o medo por companhia: o túnel podia ruir; os egípcios podiam descobrir que havia ali movimento e lançar granadas para o seu interior como o fazem com frequência ou, simplesmente, Israel poderia bombardeá-lo. Lá fora, sob um sol escaldante, Mohammed - que pagara 1500 dólares, cerca de 1020 euros, para conseguir que os contrabandistas ajudassem May a usar o túnel - aguardava. Com medo também, porque consciente do perigo que a noiva estava a correr. Mais tarde, Mohammed contou que quando viu May a emergir do túnel "foi como se ela estivesse a sair da campa, de tal modo estava coberta de terra". Enquanto May confirma: "Sabia que corria o risco de ser enterrada viva."
"Senti-me muito mal por ela ter de passar por todas aquelas dificuldades só por minha causa", afirma Mohammed. O já marido de May explica, então, à imprensa: "Após o nosso noivado online, pedi aos israelitas que me dessem autorização para ir ter com May à Cisjordânia. Fiz cinco pedidos; em vão." E desabafa, algo amargo: "Infelizmente, os israelitas não mostraram qualquer compaixão connosco, para deixar que nos encontrassem."
Ao recusar a saída de Mohammed para a Cisjordânia, que teria obrigatoriamente de passar por território israelita, o Governo de Benjamin Netanyahu procurou evitar que extremistas deixem a Faixa de Gaza e vão alimentar as fileiras dos que existem na Cisjordânia. E o facto de Mohammed ser da Fatah, da qual recebe 250 dólares mensais por uma tarefa que já não desempenha - guarda-costas de responsáveis da Autoridade Palestiniana - , não deu qualquer peso aos seus pedidos.
E foi por tudo isso que May teve de deixar o seu emprego na butique de Ramalla. "O amor é cruel", desabafa May, que, entretanto, perdeu o pai e não conseguiu ter a família no seu casamento.

Mulheres são três em cada quatro vítimas de tráfico no País



Hoje é o Dia Europeu contra o Tráfico de Seres Humanos e faz- -se o primeiro balanço do fenómeno em Portugal. Foram sinalizadas 231 vítimas, a maioria usadas na prostituição. Os homens trabalham ou furtam

Três em cada quatro vítimas de tráfico em Portugal são mulheres. Em geral, brasileira, solteira, com 30 anos e que está ilegal. Um familiar, ou amigo, ou um amigo do amigo, prometeu-lhe um bom emprego, mas coloca-a num bar de alterne no Norte de Portugal. Fica sem documentos, é ameaçada e vigiada por portugueses. É o perfil da vítima para fins de exploração sexual. Os 25% que sobram são homens, mais velhos e que são recrutados para fins laborais ou para praticarem crimes (furto).
As mais duas dezenas de vítimas sinalizadas são, posteriormente, acompanhas pelas autoridades, até para se chegar às redes de tráfico. Mas o difícil é provar a condição de "escravo", sobretudo as que são transaccionadas para exploração sexual. Desde que há monitorização, 2008, sinalizaram 231 vítimas e só confirmaram 41.
São os primeiros números oficiais da dimensão do tráfico de seres humanos em Portugal. A informação, a que o DN teve acesso, é trabalhada pelo Observatório sobre o Tráfico de Seres Humanos, criado em 2008, e será hoje apresentada, no Porto, para assinalar o Dia Europeu Contra o Tráfico de Seres Humanos.
Entre as 231 situações com sendo de tráfico de seres humanos, 46 registaram-se nos primeiros seis meses deste ano. E, embora só tenham confirmado 18% (decorrem as investigação), são todos relevantes para a compreensão do fenómeno, justificam Paulo Machado, chefe de equipa do Observatório, e Manuel Albano, coordenador para o I Plano Nacional Contra o Tráfico de Seres Humanos. E, sublinham: "Esses casos sugerem sempre situações em que as manifestações de discriminação social, de ilicitude, muitas vezes de violência de género, bem como de outros tipos de crimes, estão presentes".
Traçam o perfil das vítimas deste negócio, considerado um dos mais lucrativos do século e que vitima 2,4 milhões de pessoas todos os anos. Mas os dados do Observatório, também, revelam que há vítimas para fins de exploração sexual oriundas de uma dúzia de países, nomeadamente da Europa de Leste e Central e de África de língua portuguesa. E que há uma maioria de mulheres entre os 22 e 38 anos.
Alguém lhes acena no país de origem com a promessa de um emprego. Metem-se num avião para Lisboa ou outra cidade europeia, viajando em outro meio de transporte até chegar ao destino. Uma vez cá são colocadas numa casa de alterne, onde são controladas por portugueses. E uma informação que confirma a complexidade do sistema, é a de que "as vítimas são recrutadas por círculos de sociabilidade, amigos ou familiares".
A situação dos homens é diferente. Estes constituem a maioria das situações de tráfico confirmadas e viajam acompanhados para Portugal, onde obrigados a trabalhar dez e mais horas diárias. Ou obrigam-nos a praticar furtos.

A vida pelos outros

0h25m - Maria Cláudia Monteiro

Há gente que depende das centenas de voluntários que todos os dias combatem anonimamente a pobreza.



Alguns chegam como voluntários, de coração aberto e estômago vazio. Vêm para ajudar, mas, vencido o silêncio envergonhado, confessam que também eles precisam de ajuda. São os novos pobres.

Despojados das estratégias que os utentes tradicionais das instituições aprenderam a dominar, os novos pobres aguardam a melhor altura para pedir ajuda. "Aparecem cada vez com mais frequência", constata Susete Santos, do Gabinete de Apoio Social do Centro Porta Amiga da Assistência Médica Internacional, no Porto. "E nós temos de estar cada vez mais atentos. Agora, temos de estar atentos até aos voluntários", explicou ao JN.
Entram pela porta que julgam envergonhá-los menos, a eles que nunca tiveram por que pedir ajuda. "São pessoas que nunca recorreram à Segurança Social, nunca tiveram institucionalizadas e que têm um grande desconhecimento da forma como as coisas se processam", descreve a técnica da AMI.
Fazem parte de uma pobreza encoberta que grassa silenciosa pelas ruas das cidades e que preocupa Susete Santos. A que se passa entre as quatro paredes de casa, escondida na vergonha de quem deixou de conseguir ganhar para viver a vida como dantes. O desemprego está na base da maioria das situações de carência que chegam às instituições. "Era bom que todas as novas situações chegassem até nós, mas acredito que há muito mais", calcula a socióloga da AMI Porto.

Números da Assistência Médica Internacional (AMI) indicam uma subida de 10% no número de casos que chegaram aos centros Porta Amiga, nos primeiros seis meses deste ano. "Estes valores demonstram uma nítida tendência para um crescente número de casos de pobreza persistente. A grande maioria destas pessoas encontra-se em plena idade activa, entre os 21 e os 59 anos de idade", explica a AMI.
No total, 5201 pessoas procuraram apoio social da organização, 80% das quais desempregadas. Um número que se aproxima dramaticamente do total atingido em anos anteriores. Destas, quase duas mil recorreram à ajuda pela primeira vez, o que indica a existência de cada vez mais casos de nova pobreza.
A propósito do Dia Internacional para Erradicação da Pobreza, comemorado ontem, republicaram-se as estatísticas que atestam o que as instituições percepcionam em parcelas dramáticas de pobreza, estrutural ou adquirida.
A Rede Europeia Anti-Pobreza (REAPN) cita dados do Instituto Nacional de Estatística relativos ao desemprego, segundo os quais no segundo trimestre havia 507,7 mil portugueses que tinham perdido o trabalho. A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico estima que, no final do próximo ano, sejam 650 mil, mais 210 mil do que em 2007.
O JN acompanhou quatro voluntários que com o seu trabalho tentam esbater a pobreza, que, dizem os números, atinge 18% dos portugueses (ver páginas seguintes).

Tráfico humano requer combate especializado


Relatório do Plano contra o tráfico de pessoas recomenda criação de equipas policiais específicas

00h30m - CLARA VASCONCELOS

A criação de equipas de investigação especializadas em crimes de tráfico de pessoas é uma das principais recomendações do primeiro relatório do Plano Nacional de Luta Contra o Tráfico de Seres Humanos, que hoje, domingo, será apresentado no Porto.

No dia em que se assinala o Dia Europeu contra o Tráfico de Seres Humanos, os responsáveis pelo I Plano de Luta Contra o Tráfico de Seres Humanos e do Observatório entretanto criado para monitorização do fenómeno apresentam um primeiro balanço de actividades e estatísticas actualizadas.
O primeiro relatório de actividades, a que o JN teve acesso, termina com seis recomendações, a primeira das quais relativa à necessidade de criação de investigadores especializados e a trabalhar em exclusivo no tráfico de pessoas, quer na Polícia Judiciária, quer no serviço de Estrangeiros e Fronteiras. Equipas que poderão ser conjuntas às duas polícias e a quem seria dada formação profissional específica.
Do mesmo modo, e "tendo em conta a importância da troca de informação rápida e fiável", recomenda-se a designação, por parte das polícias, de um contacto único para esse efeito.
O primeiro relatório do Plano - que entrou em vigor em 2007 e termina no próximo ano -, defende ainda a criação de uma estrutura a nível nacional, com representantes de todos os órgãos de polícia criminal, "especialmente dedicada a melhorar a coordenação nacional da investigação" nesta área.
A necessidade de reintegração das vítimas de tráfico, aconselha também, segundo o mesmo relatório, a formalização de um protocolo com o Instituto do Emprego e Formação profissional, "no sentido de haver vagas específicas para estas em cursos de formação".
A realidade nacional relativamente ao tráfico de pessoas, começa agora a ser mais conhecida, segundo disse ao JN o director do Plano, Manuel Albano, devido às alterações introduzidos pela reforma penal de 2007 e pelos procedimentos entretanto adoptados, como o modelo de sinalização das vítimas.
"Qualquer pessoa pode fazê-lo", disse, explicando que há um formulário próprio para o efeito. As polícias e as Organizações não Governamentais também têm a obrigação de sinalizar, sempre que se deparem com potenciais vítimas de tráfico.
"A detecção dos casos tem permitido um conhecimento da realidade muito diferente da que tínhamos há anos atrás", diz, lembrando que este é "um crime oculto" , até agora olhado mais na perspectiva "da imigração ilegal".
Hoje em dia, as polícias, quando fazem rusgas, preocupam-se também em saber se para além de ilegais, as pessoas não estarão ali sob coacção. Quando suspeitem de que essa situação existe pedem apoio ao Centro de Acolhimento e Protecção, criado no âmbito do Plano, e que funciona 24 horas por dia.

sábado, 17 de outubro de 2009

Chimpanzés são altruístas quando solicitados- Poderão os homens ser assim?

Investigação da Universidade de Quioto sugere que estes primatas são capazes de se ajudarem sem esperar nada em troca


Os chimpanzés são capazes de prestar ajudar a um companheiro quando este a solicita sem esperarem nada em troca. Esta é a principal conclusão do estudo realizado em conjunto pelo Instituto de Investigação de Primatas e o Centro de Investigação da Vida Selvagem, da Universidade de Quioto.

No artigo agora publicado na revista «PLoS ONE» a equipa liderada por Shinya Yamamoto, explica que colocou chimpanzés em situações em que seria necessária a inter-colaboração para cada um atingir um objectivo distinto.
Os cientistas fizeram então duas experiências. Na primeira, um animal tinha acesso a uma palha e o outro a um pau. No entanto cada um necessitava do instrumento do outro. Verificou-se que quando solicitados pelo companheiro, cediam o instrumento.
Verificou-se também que mesmo sem esperarem reciprocidade continuavam a ajudar-se tantas vezes quantas fossem solicitadas.
Na segunda experiência, colocaram chimpanzés em situações em que não era possível haver reciprocidade, pois um tinha o papel de doador e o outro de receptor, exclusivamente. Os investigadores constataram que mesmo assim o doador cedia as ferramentas a pedido do outro.
Como conclusão, os cientistas sublinham a evidência da ajuda altruísta entre os chimpanzés, sem ganhos pessoais directos ou reciprocidade imediata.
O estudo sugere igualmente que, ao contrário do que acontece com o ser humano, estes animais raramente realizam actos de altruísmo voluntário, sendo necessário haver um pedido de ajuda.

Artigo: Chimpanzees Help Each Other upon Request - http://www.plosone.org/article/info:doi%2F10.1371%2Fjournal.pone.0007416#s5